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January 14, 2011
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O dia mais preto cai dos céus;
A escuridão estende-se,
Feita asa de melro negro,
E o lobo uiva, lacerando
A vida dos ossos.

Os seus olhos são luz carmim,
O seu pêlo branco de osso,
Gelo descorado, frio de morte.

O mostrengo voa três vezes
Em passo falso, asas do mais
Alto escárnio, crueldade feroz,
E diz:

"Por dois pedaços de prata!
Por dois nacos de carne carmim!
Por duas putas que se fodam,
Por dois dias de rio de morte,
Por dois rapazes estripados,
Mata o mundo, mata a vida,
Mata o fogo, mata o Sol,
Mata e faz sofrer, sofrer
Para todo o sempre, todo
Universo vasto o palco
Da putaria que pereça
E apodreça, que se foda
E sofra para sempre!"

E o lobo, sombra do Amanhã morto,
Diz, em alto e cruel motejar:

"Papá, que serve ser ovelha,
Que serve ser leão, ser águia,
Ser touro, ser anjo e homem,
Se Sheol recusa o sofrimento,
Se o Lago não está pronto,
Se Shamsiel e Sataniel vivem,
Brilhando com a luz da vida,
A abóbada celeste reluzente
Com as estrelas da manhã?"

E o mostrengo empoleira-se,
Trono branco agora castanho,
Rindo-se e rugindo, a quem
As emoções ferem, a quem
A vida e felicidade,
O amor e a compaixão,
São abominações, grita:

"A tua espada está na
Tua boca imunda de sangue
E merda, a tua língua agora
Lâmina de prata, para que
A carne tenra dos homens,
Putas e crianças se desfaça,
Que o icor do Homem faça
Na terra rios, e dos mares
Oceanos de vermelhão!"

E a língua do lobo tornou-se
Espada, a carne ficando
Prata, e a sua voz calou-se
Por fim, e o mostrengo riu-se,
E mandou o lobo matar tudo.

Mas o dia mais negro acaba,
Por final, com a noite mais
Branca, os céus agora prata.

Os fogos do Sol formam um falcão,
Preto mas brilhante, cujo voo é
O contraste elegante ao lobo,
Parvo e patético.

O lobo branco é nada ao
Falcão preto, e as asas partem
Qual espada tão fraca,
As garras cravam-se na nuca,
E os miolos rebentam,
O lobo caindo com todo o mal.

E o mostrengo ruge e fica,
Pateticamente, amuado.

"Sol da putaria, que caias
No vazio, que a tua luz e vida
Se extingam!"

Mas o falcão não está para merda,
E garras cravam-se em peito acárdico,
Sangue de gelo derretido nas garras.

O mostrengo cai.

Belo como a luz que as penas
Cor de cinza absorvem, o
Pássaro canta a vitória:

"A noite mais brilhante cai dos céus,
Que a morte horrenda proteja os seus olhos,
Que queime assim que o fogo branco das estrelas descenda,
Não uma luz que morre, mas que ascenda!"
:iconjohnfaa:

Accendo argenteusby JohnFaa

Literature / Poetry / Horror / Free Verse©2011-2014 JohnFaa
...
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:iconmarikoyoshida:
MarikoYoshida Featured By Owner Jan 15, 2011  Hobbyist General Artist
Não tenho palavras. Fenomenal mesmo; simplesmente brutal. Parabéns!
Reply
:iconjohnfaa:
JohnFaa Featured By Owner Jan 15, 2011  Student Writer
Desculpa, disse aquilo antes de ver o "fave". Obrigado por gostares ;)
Reply
:iconmarikoyoshida:
MarikoYoshida Featured By Owner Jan 16, 2011  Hobbyist General Artist
Nunca seria sarcasmo, achei mesmo espectacular.
Reply
:iconjohnfaa:
JohnFaa Featured By Owner Jan 15, 2011  Student Writer
Espero que não seja sarcasmo
Reply
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